16 de abril de 2009


É previsível minha imprevisibilidade. Ironicamente a vida nos surpreende por seguir as linhas tortas que imaginamos para ela. Olhei para o horizonte e percebi que de algum modo estranho ele poderia se curvar, evidentemente estava convicta que eram imagens somente da minha descontrolada imaginação, que tende a distorcer tudo que pareça certo.

(...)

Após algum tempo enquanto andava sobre as linhas retas do horizonte, elas se curvaram. Ha...e agora, José? O que estava planejado para não estar nos planos simplesmente apareceu no meio deles de uma forma visível e explosiva. Coloquei a mão sob minha face e deixei escapar aquele sorrisinho de quem definitivamente não tem a mínima idéia de como agir. Olhei ao meu redor e sem saber para onde ir abri os olhos da alma e andei. Pela primeira vez estava me permitindo sentir algo indiscutivelmente irracional. Acho que estava amando.


Leoni - Um herói que mata (A morte nada mais é do que a vida)


Pra ela eu sou perfeito

Eu sou algum pirata

Pra roubar seu sono

Um herói que mata










Eu sei que ela deseja

Que eu seja essa ameaça

A dose de coragem,

A emoção que falta













E eu tenho tanto medo

Será que tarde ou cedo? (tarde x.x')

Eu me sinto dividido entre princípios e desejos

Ela tem tanto medo

E eu não sou nem metade

Da metade da metade

Do que eu quis ser de verdade









Gastei tempo em nada

Da forma errada

Mas deixei o melhor pro fim

Nem pirata, nem herói que mata

Pra você: o melhor de mim









Enquanto eu brinco de pirata

De brinco e tatuagem

Eu quase viro escravo dessa personagem

Se ela encosta no meu peito,

A cabeça no meu ombro

Sou eu que perco o sono

Pra ela eu sou perfeito









E a gente é tão pequeno

E acha que move o mundo

E se perde em vaidade

E se acha sempre tão profundo









Acho que todo medo

É de não ver segredo

Mas o segredo é não ter medo

De morrer por seus desejos













Gastei tempo em nada

Da forma errada

Mas deixei o melhor pro fim

Nem pirata, nem herói que mata

Pra você: o melhor de mim









3 de abril de 2009

E nesse dia branco, se branco ele for.

Um pensamento fragmentado, que expõe uma série de idéias descontínuas. Sempre estou lá, tentando ligar a luz do abajur, contando sempre com algo que me ilumine, mas de repente até a luz do visor me incomoda, preciso de um fundo escuro pra escrever, fujo da claridade, até a da lua, não me descuido e deixo as janelas fechadas.
Quando a paz resolve me encontrar fico demasiadamente inquieta, começo a bater os pés e sento ao pé da porta esperando algo inesperado. No exato momento em que pacotes novos chegam, subo e desço escadas, respiro ofegante, penso e grito que já não agüento mais. Então me deparo com a idéia de uma viagem e lá estou eu: sentada, sozinha e olhando o mar. É uma tradição buscar respostas em uma dimensão livre e turbulenta, respostas essas que tento formular perguntas até hoje, sem sucesso e com um pequeno avanço em direção contrária. Aquele barulho das ondas e o avanço inevitável do mar me fazem ir pra casa. Recomeço, lavo as louças e faço minha próxima refeição, enfeito a casa de balões coloridos e danço pra emanar a energia antes presa. Depois do antagonismo percebo que sou indefinível, em ações e palavras. Várias combinações tornam o ingrediente essencial indistinguível. Tomo um café, escuto Geraldo e aceito com louvor meus dias finalmente brancos.

2 de abril de 2009

Tudo que não me deixa em paz; Mas sei que não, sei que não é permitido; Eu passei um tempo andando no escuro procurando não achar as respostas;